quinta-feira, 18 de junho de 2015

Intolerância Religiosa

A mídia relatou a agressão sofrida por uma menina de apenas 11 anos de idade, praticante do Candomblé (religião de matriz africana). Segundo relatos das diversas mídias onde as informações foram veiculadas, um grupo de oito religiosas caminhavam pela rua, por volta das 18h30 do dia 14/06, na região da Vila da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro. Na altura no número 3.318 da Avenida Meriti as religiosas, que trajavam branco (vestes típicas do Candomblé), foram agredidas verbalmente por dois indivíduos que estavam parados, em um ponto de ônibus, do outro lado da rua. Segundo relatos dos religiosos, esses dois indivíduos gritavam insultos como "macumbeiro", entre outros. Subitamente, um dos indivíduos atirou uma pedra, que ricocheteou em um poste e atingiu a cabeça da criança, causando um ferimento importante. Veja uma das matérias clicando aqui.

É óbvio que os autores desse crime de intolerância são delinquentes, e não merecem sequer uma linha de comentário neste blog. Entretanto a notícia chamou minha atenção para o aspecto da liberdade religiosa e quero analisar a questão sob dois aspectos: o aspecto legal e o aspecto da fé bíblica.

Pelo aspecto legal, importante ressaltar que o Brasil é um país laico, ou seja, não possui uma religião oficial. Além de sua laicidade, o Brasil é um país que possui uma pluralidade de credos. Embora seja composto de maioria declarada cristã (Católicos e Protestantes), possui diversas religiões, das mais distintas origens. Essa diversidade é garantida na Constituição Federal que, nos incisos VI e VIII do Artigo 5°, protege a liberdade de crença, o livre exercício dos cultos e a proteção dos locais religiosos, conforme vemos adiante:

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;  

VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

Pelo aspecto da fé bíblica, aprendemos com o Senhor Jesus a máxima: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo." Mateus 22:39

Quando amamos ao próximo como a nós mesmos, não olhamos religião, cor, raça, posição social ou qualquer outro fator humano, social ou econômico. Simplesmente queremos ao próximo o mesmo que queremos para nós mesmos. Amar o próximo como a nós mesmos, especificamente na ótica da liberdade religiosa, nos leva a refletir sob os seguinte pontos:

1) Gostaria de ser vilipendiado na rua ou em qualquer outro lugar por causa da fé que professo?
2) Ficaria feliz em sofrer preconceito ou bullying por algum traje, item ou livro religioso que uso ou carrego?
3) Acharia normal ser preterido em uma vaga de trabalho, ou em situações semelhantes, em função da crença que professo?

Pelo ensinamento de Cristo, a menos que alguém seja masoquista, a resposta esperada a essas perguntas deve ser NÃO.

Portanto, quer seja pelo aspecto legal, quer seja pelo aspecto da fé bíblica, a intolerância religiosa não encontra qualquer respaldo. O cidadão, sobretudo o cristão professo, não pode abrir mão da liberdade de culto, liberdade de crença e liberdade de expressão, valores que norteiam o Estado Democrático de Direito.

Em tempo: O Cristianismo, especificamente, tem uma importante história de superação às diversas perseguições (físicas e intelectuais) que sofreu desde o início da Igreja. Como já escrevi anteriormente (veja clicando aqui) ainda hoje, em alguns países, os cristãos são perseguidos e pagam com suas vidas por escolher ao Senhor Jesus. Devemos nos posicionar radicalmente contra esse tipo de agressão, seja contra cristãos ou contra membros de qualquer outro credo ou religião.

O Brasil é um país que absorve bem a diversidade e a pluralidade com liberdade: que permaneça assim! Qualquer comportamento diferente disso trata-se de fundamentalismo religioso e crime de intolerância; não deve encontrar espaço em nossa sociedade.

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