"Informaram a Joabe que o rei estava chorando e se lamentando por Absalão. E para todo o exército a vitória daquele dia se transformou em luto, porque as tropas ouviram dizer: "O rei está de luto por seu filho". Naquele dia, o exército ficou em silêncio na cidade, como fazem os que fogem humilhados da batalha. O rei, com o rosto coberto, gritava: "Ah, meu filho Absalão! Ah, Absalão, meu filho, meu filho! "
Então Joabe entrou no palácio e foi falar com o rei: "Hoje humilhaste todos os teus soldados, os quais salvaram a tua vida, bem como a de teus filhos e filhas, e de tuas mulheres e concubinas. Amas os que te odeiam e odeias os que te amam. Hoje deixaste claro que os comandantes e os seus soldados nada significam para ti. Vejo que ficarias satisfeito se, hoje, Absalão estivesse vivo e todos nós, mortos. Agora, vai e encoraja teus soldados! Juro pelo Senhor que, se não fores, nem um só deles permanecerá contigo esta noite, o que para ti seria pior do que todas as desgraças que já te aconteceram, desde a tua juventude".
2 Samuel 19:1-7
Davi estava enfrentando uma grave guerra civil em Israel: seu próprio filho Absalão usurpou seu trono. A ousadia de Absalão foi tamanha, que ele juntou aliados, formou exército e investiu contra seu pai, o rei de Israel, de modo que Davi, para não ter que enfrentar seu próprio filho, fugiu com sua coorte. Absalão toma o palácio e proclama-se rei de Israel.
Davi, agora fugitivo, reorganiza seus aliados e seus exércitos e inicia o plano de reconquista de seu trono. Entretanto, deixou ordens claras à Joabe: "preserve Absalão vivo".
No furor da batalha, após ficar preso à uma árvore, Absalão é morto por Joabe (em um ato de desobediência do General), e a guerra chega ao fim.
Davi, ao saber da morte de seu filho, pranteou e lastimou muito. Não é difícil compreender o choro de Davi, posto que tratava-se de seu próprio filho, traidor e usurpador, mas ainda assim, filho.
Entretanto, seu luto foi tão intenso que seu exército, vitorioso na batalha, ao saber que Davi pranteava, voltou triste e amargurado como se houvesse perdido a batalha.
Vejo nessa história dois pontos muito importantes: o amor de Davi pelo seu filho, porém o cuidado que se deve ter com aqueles que estão ao seu lado.
O luto de Davi pelo seu filho é completamente compreensível, e entendo que simboliza o amor de Deus pelos seus filhos que o traem, que o abandonam, que viram as costas ao Pai que lhes ama e que os fez príncipes. Entretanto, esse filho fez sua escolha e não se arrependeu.
Ao mesmo tempo, enquanto Davi chorava pelo seu filho morto, estava perdendo aqueles que lhes eram fiéis, aqueles que estavam pelejando por Davi, aqueles que estavam arriscando suas vidas por Davi e seu reino. Em outras palavras, enquanto Davi chorava o destino daquele que fez sua escolha - virar-lhe as costas - Davi desprezava aqueles que permaneceram junto dele, comendo o "saco de sal" e passando pelos "apertos".
Que bom que deu tempo de Davi se recompor e passar o exército em revista, a fim de animar os valentes e mostrar-se com eles.
Concluo que nós, enquanto líderes, cooperadores do Reino de Deus, precisamos fazer tudo o que está em nosso alcance para não deixar os "Absalões" se desviarem, se perderam. Todavia, quando esses fizerem suas escolhas, olhemos para aqueles que estão ao nosso lado, que comem o "saco de sal", que não "largam a mão do arado" e continuemos a batalha.
--
Resumo da homilia ministrada pelo Diácono Thiago, no culto de Oficiais da Igreja Batista de Sião, em 13/06/2015.

Nenhum comentário:
Postar um comentário