| Ruínas do Ginásio de Sardes. |
"E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto.
Sê vigilante, e confirma os restantes, que estavam para morrer; porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus.
Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei.
Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram suas vestes, e comigo andarão de branco; porquanto são dignas disso.
O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas." Apocalipse 3:1-6
A Carta à Igreja de Sardes pode ser analisada sob três aspectos diferentes, que se completam, quais sejam:
- ASPECTO HISTÓRICO
- ASPECTO PROFÉTICO
- ASPECTO PRÁTICO
Em seu ASPECTO HISTÓRICO podemos identificar que a Igreja de Sardes, assim como as outras seis Igrejas do Apocalipse, existiram como Igrejas locais. Esta, por sua vez, recebeu esse nome, pois que localizada na cidade de Sardes, capital da província de Lídia, uma cidade rica e importante da Ásia Menor. Sua economia era movida pela indústria de tapetes que era a principal atividade econômica, até sua total destruição ocasionada por um terremoto.
A Igreja de Sardes contava com certo prestígio na região, porém sua vida espiritual não agradava ao Senhor. O texto de Apocalipse é claro ao afirmar: “...tens nome de que vives, e estás morto”. Entretanto, mesmo em uma igreja “morta” havia alguns crentes que se mantinham “vivos” e não se contaminaram.
Apenas para ilustrar a palavra Sardes significa os que escapam ou os que saem. Relação direta com a sua história e com sua figura profética.
Em seu ASPECTO PROFÉTICO a Igreja de Sardes representa o período histórico da Reforma Protestante, que ocorreu a partir de 1517 d.C.
Sabemos que as recorrentes práticas da Igreja de Roma das doutrinas pagãs, sobretudo a salvação pelas obras, moveu em alguns homens comprometidos com a Palavra de Deus à Reforma que conhecemos hoje como Reforma Protestante. Como resultado dessa reforma as Igrejas, agora denominadas de Protestantes, passaram a não mais praticar a salvação pelas obras (o que Roma impunha até então) para declararem que a salvação, na realidade, vem pela fé.
Após certo tempo, as Igrejas da Reforma começaram a manter laços de união com o Estado, o que passou a ameaçar o avivamento iniciado pelos reformadores. As consequências de uma Igreja “estatal” é que como a maioria da população já nasce “membro” da Igreja, fica “arrefecida” a necessidade de aceitar Jesus como Salvador pessoal. Outro ponto negativo dessa união é que costumes litúrgicos tornaram o culto um culto vazio de vida, meramente religioso.
Esses fatores comprometeram o avivamento da Igreja, porque não se ministrava o Evangelho, nem um encontro pessoal com Jesus Cristo. Sem isso, uma igreja é literalmente morta.
Isto posto, podemos passar ao entendimento do ASPECTO PRÁTICO desta Palavra. Agora que entendemos o contexto histórico e profético do texto, podemos também aplicá-lo à nossa vida pessoal. Neste objetivo, o texto que mais impacta na leitura é o versículo 1, que diz:
“Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto.”
A tendência humana é de nos acomodarmos na “zona de conforto”, em todos os aspectos, inclusive na vida espiritual. Podemos enumerar alguns pontos que podem contribuir para uma vida espiritual de aparências, quais sejam:
“Ser Normal” – Quando deixamos de fazer a diferença, o sinal de alerta deve ser aceso: Mateus 5:13-16
“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.
Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;
Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.
Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.”
“Não tomar sua Cruz” – Quando não estamos dispostos a tomar a própria cruz, outro sinal de alerta deve ser aceso: Mateus 10:38
“E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim.”
“Não manter uma vida de oração” – Quando achamos que a oração é desnecessária, ou menos importante, mais um sinal de alerta deve ser aceso:
I Tess. 5:17 – “Orai sem cessar.”
Marcos 14:38 – “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.”
“Ausência de Caridade” – Quando não nos preocupamos com o próximo, cuidado!
“E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.” I Coríntios 13:2
“Apostasia” – Por fim, quando não nos importamos com a VERDADE, estamos fadados à morte espiritual.
“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;” I Timóteo 4:01
Devemos fazer uma análise de nossa vida espiritual, uma autocrítica. Estamos enquadrados em alguns itens apontados acima? Será que estamos levando uma vida espiritual de aparências? Uma aparência de espiritualidade, mas uma prática em desacordo à vontade de Deus? Em caso afirmativo, não devemos nos desesperar, mas aproveitar essa oportunidade para dizer sim ao chamado de Deus:
“Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá.” Efésios 5:14
Que possamos despertar nos 365 dias do ano de 2013, para que nosso avivamento seja uma constante! Que Deus nos abençoe com esta Palavra.
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Palavra ministrada pelo Diácono Thiago I. Penido no culto de oração da Igreja Batista de Sião, em 28/12/2012.
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