sábado, 22 de abril de 2017

A conduta do Apostolado: uma comparação com o ministério pastoral.

Texto base: II Coríntios 11

Corinto era a capital da Acaia, uma província do Império Romano no Leste da Grécia Central. Essa cidade tinha grande importância comercial, cultural e religiosa, portanto era uma cidade que mantinha um fluxo importante de pessoas que faziam seus negócios e frequentavam os diversos templos pagãos que ali existiam.

Nesse contexto o Apóstolo Paulo iniciou seu trabalho missionário em Corinto durante sua segunda viagem missionária, após deixar Atenas. Ficou em Corinto um ano e seis meses pregando o Evangelho e ganhando vidas para o Reino de Deus. Juntou-se a um casal de amigos chamados Áquila e Priscila, dos quais recebeu grande apoio e parceria. Inicialmente trabalharam juntos fabricando tendas e, nos tempos livres, Paulo pregava o evangelho nas sinagogas e sempre que tinha oportunidade para falar de Jesus. Posteriormente dedicou-se exclusivamente à pregação do Evangelho quando passou a receber ajuda material de outras Igrejas, principalmente da Igreja na Macedônia.

Resumindo esta pequena introdução, o Apóstolo Paulo foi o fundador da Igreja de Corinto.

Paulo escreveu a primeira carta aos Coríntios quando estava em Éfeso e a segunda carta quando estava na Macedônia, ambas na sua terceira viagem missionária. Na primeira carta o Apóstolo aborda doutrina e prática enquanto que na segunda carta Paulo abre seu coração em relação aos seus sentimentos pelo Senhor e pela Sua obra.

Na segunda carta aos Coríntios Paulo se vê obrigado a fazer uma auto-defesa em função dos adversários que se levantaram contra ele. Para Paulo esse tipo de auto-defesa era algo que lhe custava muito, uma vez que ele não se sentia à vontade ao falar em causa própria. Entretanto, viu-se na obrigação de defender-se até como orientação à própria Igreja. Entre os argumentos de paulo, podemos identificar os sentimentos de Paulo que, embora chamado pelo próprio Cristo, era um homem comum como nós. 

É neste contexto que que, no Capítulo 11, podemos extrair o tema central dessa mensagem:

A conduta do Apostolado: uma comparação com o ministério pastoral.

No capítulo 11 observamos o Apóstolo Paulo manifestando suas preocupações, sentimentos e lutas vivenciadas em seu ministério. Desses sentimentos podemos extrair:

- Observamos o Apóstolo Paulo preocupado com o cuidado da Igreja:

Versículo 2: Em prepará-la como noiva para o noivo. No antigo oriente havia um costume das noivas se prepararem durante um tempo com banhos, óleos e fragrâncias. Depois dessa preparação, os "amigos do noivo" levavam e noiva ao encontro do noivo, para este recebê-la e desposá-la. Certamente esses "amigos do noivo" não poderiam apresentar uma noiva de qualquer jeito, mas uma noiva belamente ornada para as bodas. Essa era a mesma preocupação de Paulo; apresentar a Igreja como noiva pronta para as bodas com o noivo. Isso requer dedicação e trabalho.

Versículo 3: Em preservar a Igreja das astúcias e dos enganos da serpente. A mentira que a serpente contou para Adão e eva, permanece até os dias de hoje, e se possível tenta enganar e enlaçar a própria igreja.

Versículo 28: Em sua preocupação cotidiana e solicitude com as Igrejas.

- Observamos o Apóstolo "obrigado" a rebater críticas dos seus adversários;

Versículo 5: Quando foi "inferiorizado" em relação aos demais pregadores. Sim, já existia esse tipo de "concorrência" à época, ou seja, de homens que queriam a glória para si e julgavam-se melhores pregadores do que outros.

Versículo 6: Quando foi acusado de ser menos eloquente em relação aos demais pregadores. Sim, diziam esses adversários que paulo era "grosso", uma vez que não possuía "tato" ou a eloquência necessária para pregar o Evangelho.

No capítulo 10:9-11 Paulo demonstra que havia sido acusado de ser um homem falso, pois seus adversários diziam que quando ele estava presente tratada os irmãos com carinho, mas por carta era áspero.

- Observamos um Paulo se esforçando para preservar a Igreja quando:

Versículo 7: Humilhou-se a si mesmo para exaltar os irmãos, os membros da Igreja.

Versículos 8-12: Quando o Apóstolo abriu mão de seu sustento para evitar ser "pesado" aos irmãos e para não dar ocasião aos seus adversários. Alguém já pensou em trabalhar o mês inteiro e deixar o salário com o patrão? Somente um ministro que trata seu ministério como vocação e não como negócio é capaz de tal atitutde.

- Observamos o Apóstolo combatendo os falsos apóstolos:

Versículos 12-13: O Apóstolo alerta aos irmãos sobre os obreiros fraudulentos, que pregam em busca de seus próprios interesses.

Versículo 14: Afirma que tais obreiros são ministros do mal.

- Por fim, observamos um Apóstolo enfrentando suas dificuldades e lutas por amor à Palavra de Deus e à Igreja. Dentre essas dificuldade verificamos naufrágio, açoites, prisões, fome, sede, vigílias, nudez, entre outras.


Não é possível ler estes apontamentos do Apóstolo sem fazer uma conexão com o ministério Pastoral. Penso que os sentimentos de paulo expressam bem a realidade de muitos pastores e líderes que são vocacionados ao ministério e não fazem da Igreja um negócio quando:


- Abrem mão de sua própria razão para poupar as ovelhas;
-Trabalham com afinco para ver Cristo formado em cada crente;
- Atuam para impedir a contaminação da Igreja pelo mal;
- Fazem o esforço necessário para apresentar a noiva devidamente adornada para o Noivo;
- Lidam com acusações e calúnias daqueles que se dizem irmãos e não são;
- São açoitados por palavras que machucam mais que açoite;
- São apedrejados pelo julgamento de pessoas que sequer ouvem suas razões.

Disso tudo podemos concluir que o ministério pastoral é reservado àqueles que foram comissionados e vocacionados pelo Senhor. Não é para "amadores"ou "aventureiros". É por essa razão que temos o dever de considerar nossos pastores:

- Em alta estima, conforme nos recomenda Paulo em I Timóteo 5:17:

"Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina;" 

- Com distinção e respeito, conforme nos recomenda Paulo em I Timóteo 5:19:

"Não aceites acusação contra o presbítero, senão com duas ou três testemunhas."

- Como exemplos de vida, conforme nos orienta o autor de Hebreus 13:17:

"Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver."

Como Igreja devemos procurar sempre dividir as cargas dos pastores, cumprindo o papel de facilitadores para que eles vejam em nós, de fato, a coroa de vosso ministério.

Que Deus abençoe nossos pastores e a nós ovelhas desse rebanho.

--
Palavra ministrada pelo Diácono Thiago no culto de ação de graças ao Senhor pelo aniversário do Pastor Antônio, no Templo da Igreja Batista de Sião na noite de 21 de abril de 2017.

Nenhum comentário:

Postar um comentário