quarta-feira, 15 de março de 2017

Greve Geral ou Greve Compulsória?

Estação Tamanduateí - Interligação fechada!
Hoje amanhecemos o dia com a intitulada "greve nacional". Esta greve já estava anunciada desde ontem e os sindicatos cumpriram a promessa. Os grevistas se posicionam contra a reforma da previdência e a reforma tributária.

Como toda manifestação sindical, esta optou por interromper serviços básicos à população como transporte público e educação, bem como o impedimento de vias públicas.

As pautas estão equivocadas? Creio que não! Eu mesmo sou contra a alguns pontos da reforma previdenciária. Mas será que o método utilizado para esse protesto é o mais coerente?

Também fui afetado pela greve e este texto foi escrito enquanto estou aqui, plantado na estação Tamanduateí,  esperando o retorno do metrô ou das linhas de ônibus. Neste momento passei a refletir sobre o movimento e alguns pensamentos me ocorreram:

1) Parar serviços essenciais à população trata-se de uma covardia, pois isso transforma a suposta "greve nacional" em "greve compulsória", uma vez que muitos dos que não vão chegar ao trabalho não estão em greve, mas impedidos.

2) Reparei que a grande maioria dos serviços parados estão concentrados entre os funcionários públicos, salvo os funcionários de empresas de ônibus privadas. Olha só que interessante: a linha quatro do metrô, que é da iniciativa privada, está funcionando normalmente.

3) Eles acham mesmo que esta "greve" vai incomodar o Sr. Temer, seus ministros ou os congressistas? Absolutamente não! Essa "greve" vai atingir apenas os trabalhadores que estão impedidos de levarem seus filhos à escola e chegarem ao trabalho, bem como os empresários, muitos deles de micro e pequenas empresas, que ficarão paradas e deixarão de atender seus clientes pela ausência de grande parte de seus funcionários.

4) Por que será que os organizadores da "greve" não convocaram manifestações para o domingo, quando grande parte da população está livre para, de forma espontânea, protestar? Seria receio de não conseguirem mobilizar quantidade expressiva de pessoas?

Diante da minha vã filosofia, lembrei de quando estava cursando minha graduação em Administração. Um dos meus melhores professores, Mestre e coordenador do curso, certa vez em visita a uma empresa no Japão, reparou que os funcionários de um determinado departamento da produção estavam todos com os bonés virados para trás (o boné fazia parte do uniforme). Ao perguntar para o supervisor que o acompanhava o porque desses funcionários estarem com os bonés ao contrário, foi informado que eles estavam "protestando" contra algumas medidas adotadas pela empresa e permaneciam em negociação. Nenhuma paralisação, tampouco qualquer queda nos índices de produtividade foram registradas, pois isso não faz parte da cultura e comportamento dos japoneses. Isso, à época, me fez pensar porque o Japão é o Japão e o Brasil é o Brasil. 

Hoje, mais uma vez, concluo que ainda precisamos avançar muito para, um dia, ostentarmos o título de potência!

Que Deus nos dê de sua graça e transforme essa nação, seu povo e seus políticos!!!

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