sexta-feira, 22 de abril de 2016

Sal e Luz

"Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Para nada mais serve, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte. Nem se acende uma lâmpada e se coloca debaixo do alqueire, mas na luminária, e assim ela brilha para todos os que estão na casa. Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem vosso Pai que está nos céus."  Mateus 5: 13-16 Bíblia de Jerusalém

Ao meditar sobre essa passagem sagrada, muito conhecida pelo povo de Deus, o Espírito Santo levou-me a investigar o motivo que fez Jesus usar como exemplo de santidade dois elementos na natureza: sal e luz. Com especial destaque para o sal, passei a investigar o que o sal significa na própria Palavra de Deus, e o Espírito Santo conduziu meu entendimento ao que passo a expor.

Sabor: Sabemos que o sal é tempero básico da culinária. Uma comida sem sal rapidamente é percebida por aqueles que a experimentam. Por mais que se possa temperar com outros tipos de ingredientes como cebola, alho, entre outros, o sal é tão fundamental ao sabor que sua ausência é notada facilmente. Portanto, o sal dá sabor àquilo que naturalmente seria "sem graça", "sem sabor".

Purificação: Tudo indica que, nos tempos do Antigo Testamento, o sal possuía um valor de purificação. Veja só o que o texto de Ezequiel 16:4 nos revela:

"Por ocasião do teu nascimento, ao vires ao mundo, não cortaram teu cordão umbilical, não foste lavada para a tua purificação, não foste esfregada com sal, nem foste enfaixada."

Embora o contexto seja a revelação profética das abominações de Jerusalém, o texto nos dá uma ideia de como era feita a purificação do recém nascido à época: seu cordão umbilical era cortado e seu tratamento "anti-inflamatório" era o sal.

Nesse entendimento percebemos que o sal possui um valor de purificação, de tornar algo estéril de impurezas ou de qualquer substância que possa causar dano. Essa ideia é reforçada com outro texto sagrado. agora em Levítico 2:13, quando a Lei determina a forma de apresentar a oferta de oblação. Vejamos:

"Salgarás toda a oblação que ofereceres e não deixarás de pôr na tua oblação o sal da aliança de teu Deus; a toda oferenda juntarás uma oferenda de sal a teu Deus."

Perceba que a oferta deveria estar acompanhada do sal, deveria ser "salgada" como símbolo da purificação da oferta a ser apresentada diante do Senhor.

Para encerrar esse item, porém sem esgotá-lo, o texto de Números 18:19 nos revela:

"Todas as oferendas que os israelitas trazem a Iahweh, das coisas santas, dou-as a ti, bem como a teus filhos e tuas filhas, como um estatuto perpétuo. É uma aliança eterna de sal diante de Iahweh, para ti e para tua descendência contigo."

Ao estabelecer a parte dos sacerdotes, das ofertas entregues pelo povo no tabernáculo, o Senhor o faz estabelecendo essa oferta como "oferta de sal". Isso nos dá a ideia de algo que torna-se puro neste mister, a saber de tomar os sacerdotes suas partes nas ofertas.

Preservação: O sal, além de tudo que já vimos acima, tem um valor muito importante na conservação. Quem já viu uma "carne de sol" sabe que seu preparo envolve "salgá-la" de tal maneira que este sal preservará a carne de seu apodrecimento. Assim essa carne poderá ser mantida guardada, por muito tempo, sem a necessidade de refrigeração. Da mesma forma o famoso e suculento "bacalhau". Na verdade o "bacalhau" não é um peixe específico, mas a forma como ele é preservado. Tratam-se de quatro ou cinco tipos diferentes de peixes que, ao serem pescados em águas frias e profundas, passam por um processo de "salga", de modo que esse sal os conserva durante a longa jornada de semanas (ou meses) que inicia com sua pesca e vai até o seu consumo pelo comprador final.

Portanto podemos extrair desse entendimento que o sal preserva da corrupção. Até pelos últimos acontecimentos que estamos vivenciando em nossa política brasileira, percebemos o quanto o homem está corrupto. Mas a corrupção não é um comportamento exclusivo dos que habitam Brasília. Vemos que algumas personalidades internacionais viram-se em "maus lençóis" ao terem seus nomes envolvidos na "Paraná Papers". 

Quando o assunto é corrupção julgamos apenas a classe política, mas observemos como a corrupção está presente no dia a dia de todos. Ao trafegar com o veículo no acostamento ou realizar uma troca de faixa sem sinalização, estamos infringindo a lei de trânsito, portanto uma forma de corrupção. Se solicitarmos ao garçom da churrascaria que este passe primeiro em nossa mesa com as primeiras peças de carne, em troca de uma boa gorjeta, isso é corrupção!!! Enfim, muitas atitudes do dia a dia podem manifestar um comportamento corrupto. A corrupção passou a fazer parte da humanidade, em algumas culturas mais em outras menos, à partir do momento em que Adão e Eva desobedeceram ao Senhor no Éden.

Entendendo o papel simbólico que o sal tem nas próprias Escrituras Sagradas, podemos entender melhor porque Cristo utilizou esse elemento ao nos ensinar sobre conduta.

É papel da Igreja dar sabor na vida das pessoas, tornar esse mudo amargo e azedo em um mundo mais temperado e com mais sabor. É papel da Igreja, através do anúncio do Evangelho, purificar o mundo das impurezas que o envolve, purificar as pessoas de suas lamas do pecado com as quais estão imundas. É papel da Igreja preservar, através de seus membros, um grupo de pessoas que zelam pela Palavra de Deus e pela conduta ética e justa. Como no exemplo de Ló, cuja terra de Sodoma só foi destruída após sua partida, certamente esse mundo ainda não pereceu porque Deus tem seus escolhidos aqui que ainda dão o sentido de preservação, e um norte aos corrompidos.

Por fim, o outro elemento que é a luz, nos mostra que a Igreja é aquela que ilumina a escuridão e as trevas causadas pelo pecado. É como que um farol em meio ao oceano escuro do pecado, através do qual o mundo pode encontrar o caminho, que é Jesus.

Que possamos, de fato, ser Sal e Luz.

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Resumo da homilia realizada pelo Diácono Thiago no culto de oração da Igreja Batista de Sião, em 22/04//2016.

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