sábado, 31 de outubro de 2015

Desculpe pelo transtorno: estamos em Reforma!

Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero afixou suas 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg. Nessas teses Lutero denunciava a avareza e o paganismo que a Igreja abarcava dentro de si e convocava o povo cristão para um sério debate sobre os temas.

Lutero não foi o primeiro. Antes dele muitos outros irmãos já haviam denunciado tais contradições, porém foram mortos. Lutero não foi morto porque recebeu apoio dos nobres que viam na Reforma Protestante uma ética aberta ao capitalismo.

Inicialmente Lutero não queria qualquer espécie de rompimento com a Igreja Romana. Antes, ele desafiava os líderes para um debate de suas teses com a sincera vontade de reformar a Igreja.

Sua excomunhão, ocorrida em 1521 através da bula papal "Decent Romanum Pontificem", foi o estopim para o início de uma nova vertente do cristianismo: o Protestantismo.

Esse movimento, que inicialmente era uma questão puramente religiosa, tomou dimensões muito maiores. Foi graças a esse movimento que aquela estrutura medieval de sociedade foi substituída por uma dinâmica mais aberta, possibilitando o acúmulo de capital e o trabalho visando o lucro, algo que a Igreja Romana pregava contra (embora mantinha seus cofres cheios do dinheiro arrecadado de seus fiéis).

Algo tão significativo na história está simplesmente esquecido. Muitos sequer lembram da importância dessa data, e a mídia não emite sequer uma nota sobre o tema, preferindo falar do "dia das bruxas".

Deixando de lado a questão secular, que também envolve a Reforma Protestante, a dúvida a ser dirimida é: hoje, após 498 anos das 95 teses, a Igreja está completamente reformada?

A resposta é não! A Igreja permanece em reforma e estará constantemente em reforma até a volta de Jesus.

Se observarmos atentamente o protestantismo, especialmente no Brasil, veremos que muitas Igrejas ditas "evangélicas" estão repetindo o que a Igreja Romana fazia na época de Lutero, porém com uma nova roupagem.

A venda de indulgências foi substituída por campanhas milagrosas, onde os fiéis devem contribuir com um valor "X" para participar. As relíquias santas foram substituídas por rosas consagradas, copos de água, fronhas abençoadas, sabonetes ungidos, óleos consagrados em Israel, etc. Não poderia ficar de fora a idolatria, que foi substituída de imagens de mortos por imagens de vivos. Algumas igrejas chegam a colocar a foto do seu líder máximo em suas fachadas ou púlpitos.

Essas situações são visíveis e de fácil identificação. Até mesmo os não crentes reconhecem esses lapsos e os criticam. Entretanto existem denominações que não realizam qualquer prática semelhante às que já citei, porém pregam um evangelho deturpado, negando a divindade de Cristo ou mesmo negando a ressurreição. Algumas outras possuem influência de religiões bem diferentes do cristianismo, como o hinduísmo, por exemplo.

Então não valeu a pena? Ah valeu; e como valeu! Graças à Reforma Protestante, hoje temos a liberdade de adorar ao Senhor sem os "intermediários", e inúmeras Igrejas espalhadas pelo mundo estão livres para crer na Bíblia, e somente nela.

Sola Fide (somente a fé), Sola Scriptura (somente as Escrituras), Solus Christus (somente Cristo), Sola Gratia (somente a Graça), Soli Deo Gloria (Somente à Deus seja a Glória). Esses são os cinco pilares nos quais a Reforma Protestante se baseou para nortear sua caminhada. Precisamos constantemente resgatar esses cinco pilares e trazer à memória o investimento que homens como John Huss, John Wycliffe, Lutero e Knox realizaram, para que hoje nossa fé estivesse livre de entraves.

Claro que ninguém é possuidor da Verdade absoluta a não ser o próprio Deus. Seria muita pretensão dizer que esta ou aquela Igreja são as únicas certas. Somos humanos, portanto falhos e limitados. Porém, é nosso dever buscar essa Verdade a cada dia, e fazer dela nossa bússola que nos leva para o caminho certo.

Louvado seja Deus pela Reforma Protestante.

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