sábado, 7 de fevereiro de 2015

Igreja Perseguida

Cristãos sendo usados como tochas humanas, na perseguição sob Nero, por
Henryk Siemiradzki
, Museu Nacional, Cracóvia, Polônia, 1876. Fonte: Wikipédia
"Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.
Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós." Mateus 5:10-12


A Igreja de Cristo sabe o que é perseguição desde que se conhece por igreja. Ao nascer, o próprio Jesus foi perseguido, e por não encontrá-lo, Herodes mandou matar todas as crianças recém-nascidas, tentando de algum modo atingir Jesus. Daí por diante a perseguição tornou-se uma realidade constante para os cristãos.

Jesus foi constantemente perseguido em seu ministério, e não poucas vezes tentaram matá-lo e apedrejá-lo, quando ao final de seu ministério, ainda que por missão e vontade Suprema, Ele foi crucificado, uma das penas de morte mais cruéis da época.

Os discípulos foram perseguidos, e alguns deles sofreram a pena capital: Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, Tiago foi decapitado, igualmente pena sofrida pelo Apóstolo Paulo.

A era pós apostólica foi uma época de muitas perseguições, visto que o Império Romano, ainda pagão, perseguia os cristãos e os matava, não poucas vezes fazendo desses cristãos espetáculos em arenas.

Após a conversão de Constantino, Imperador de Roma, ao Cristianismo o Império Romano então deixa de perseguir os Cristãos, e a Igreja aos poucos vai se aliando ao Estado, até que por fim a Igreja torna-se o Estado Romano. Nesse período a perseguição física é consideravelmente reduzida, visto que agora o Estado dominante do mundo à época era Cristão. Foi então que os Pais da Igreja passaram a lidar com outro tipo de perseguição: a perseguição intelectual, ideológica e teológica. Essa, embora muito bem combatida pelos Pais da Igreja, permanecem até aos dias de hoje, sobretudos nos países livres como o Brasil.

Entretanto, em pleno século XXI, ainda existem cristãos, irmãos nossos na fé, que um dia estarão conosco reunidos em Cristo na Glória, sim esses irmãos nossos que parecem ser tão distantes, ainda pagam com suas próprias vidas o preço de aceitarem Jesus como único e suficiente Salvador. Pagam com a vida somente, e simplesmente, pelo fato de serem cristãos.

Recentemente em um país chamado Níger, no continente Africano, duas Igrejas e uma escola de confissão Presbiteriana, mantidas pela Igreja Presbiteriana brasileira, com missionários brasileiros coordenando os trabalhos no local, foram saqueadas e destruídas. Os pastores missionários tiveram que se esconder com suas famílias para não serem mortos.

Relatos como esse registram-se em muitos países, oriundos da áfrica, oriente médio e ásia. Famílias sendo dizimadas e seus seus filhos, quando não mortos, escravizados, abusados sexualmente e utilizados como soldados.

No Brasil nós temos a liberdade de nos reunirmos como Igreja, vez que aqui nossa Constituição nos dá o direito e assegura a liberdade de credo e de culto. Aqui enfrentamos perseguição de outra forma: a perseguição intelectual, por parte da sociedade secularizada que com o discurso "politicamente correto" está invertendo os valores judaico-cristãos e apontando a Igreja Brasileira como retrógrada, preconceituosa e fundamentalista. Por outro lado conhecemos também a perseguição "interna", que é aquela em que correntes de heresias estão permeando as igrejas tentando, se possível, enganar os próprios escolhidos. Ainda assim, nada se compara a terrível dor da perseguição física.

Embora Jesus tenha chamado de bem aventurados os que sofrem perseguição por causa da Justiça, sabemos que o sentido empregado por Jesus é o de que estes perseguidos serão grandemente recompensados e consolados pelo Pai. Humanamente falando a perseguição não tem nada de romântico, é uma violência sem limite feita a pessoas inocentes.

Diante dessas notícias eu pergunto: o que fazer? Devemos nos armar e partir para o combate, resistir com a mesma força e violência? Embora esse expediente já tenha sido utilizado no passado, essa não é a característica do cristianismo puro e simples!

Devemos sim nos armar e combater a perseguição, mas com a arma que Jesus nos deixou: a oração. A Igreja no Brasil e no mundo não pode se conformar passivamente com essa realidade. Precisamos orar ao Senhor Eterno pelos nossos irmãos e irmãs, que estão resistindo com suas próprias vidas o preço de "carregar a cruz".

E nós, o que estamos fazendo pelos irmãos perseguidos? Devemos orar, pois essa é a arma que temos à disposição. Oremos pelos nossos irmãos perseguidos!


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Palavra ministrada pelo Diácono Thiago, no culto de oração de 06/02/2015, na Igreja Batista de Sião.

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