sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A parábola do devedor implacável

Texto Base: Mateus18:23-35 (Clique sobre a referência para abri-la)

Ao lermos essa parábola contada por Jesus, precisamos primeiramente contextualizá-la para os dias de hoje. Dessa forma, faz-se necessário entender o tamanho da dívida em questão. Assim sendo, se observarmos o que nos diz o versículo 24, o servo devia ao rei "dez mil talentos" (tradução da Bíblia de Jerusalém)[1]

A dívida do servo para com o Rei era tão grande que com o mesmo valor (hoje) poderíamos realizar os seguintes feitos:

Considerando que a grama do ouro na data de hoje (09/08/2013) está cotada a R$ 96,00[2], multiplica-se portanto esse valor pelas 174 toneladas, e teremos uma dívida de R$ 16.704.000.000,00.

Isso mesmo! Em valores atuais, essa dívida representaria a "modesta" quantia de dezesseis bilhões e setecentos e quatro milhões de Reais.

Com esse valor seria possível:
- Custear o Orçamento da Segurança Pública do Estado de São Paulo, que para o ano de 2013 é de R$ 15.396.582.523,00;[3]
- Comprar 639.021 carros 0Km (Uno), cada um no valor de R$ 26.140,00;[4]
- Comprar 55.680 unidades de apartamentos a um valor unitário de R$ 300.000,00;
- Reformar 42 estádios iguais ao do Palmeiras (o futuro e imponente Arena Park), por um valor unitário de R$ 400.000.000,00. [5]

Meu Deus!!!! Essa dívida é impagável!!!! Todavia, o Rei perdoou o servo, que não soube fazer o mesmo com o seu devedor. Este segundo, por sua vez, devia apenas "cem denários", conforme lemos no versículo 28 (tradução da Bíblia de Jerusalém)[1]. Como cem denários significa menos de 30 gramas de ouro, nós vamos arredondar para 30 gramas, para simplificar nossa análise, e vamos aplicar o mesmo valor da grama do ouro para o dia de hoje, que custa R$ 96,00. Isso nos dará a "enorme" quantia de R$ 2.880,00!!!

Isso mesmo, por R$ 2.880,00 o servo que havia sido perdoado pelo seu Rei, mandou o seu devedor para a prisão!!!

Será que, se estivéssemos no lugar desse Rei, nós não faríamos a mesma coisa? Não condenaríamos o homem por essa tamanha falta de perdão, e de capacidade de aprender com sua própria experiência. Este indigno servo que vos fala faria a mesma coisa. Entretanto, não estamos no lugar desse Rei... estamos no lugar do mesmo servo, que devia mais de dezesseis bilhões de Reais.

Todos nós temos uma dívida impagável para com o nosso Deus, pois a natureza humana rebelou-se contra o Senhor, lá no Éden, e passamos a devê-lo uma quantia impagável:

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;” Romanos 3:23

E se a dívida é impagável, logo a condenação é a morte:

“Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá. Ezequiel 18:4

Entretanto, se nós mesmos não podemos pagar a dívida, alguém terá que pagá-la em nosso lugar, pois Deus é justo e executa sua justiça. Conforme vemos no versículo 25 o Rei condena não somente o homem, mas sua família e bens, para o pagamento.

Entretanto, após a súplica do homem, e pela ciência do Rei que ete homem jamais terá condições de quitar sua dívida, Ele o perdoa, assim como Deus fez conosco através de Jesus. Isaías, profeticamente, indica que o Messias tomaria sobre si nossa condenação:

Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.” Isaías 53:4

E em Mateus, o próprio Jesus afirma que sua missão é nos salvar, ou seja, quitar nossa dívida assumindo para si:

“Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.” Mateus 20:28

Após esse ato de amor, de perdão, o Senhor espera que façamos o mesmo. Uma vez perdoados de nossos pecados, uma dívida impagável diante de Deus, nós não podemos deixar de imitá-lo e perdoar nossos devedores:

“Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.” Colossenses 3:13

Existem pessoas que carregam por anos e anos mágoas, ressentimentos, brigas e discórdias, simplesmente porque não são capazes de algo tão simples, que é perdoar. Esse perdão não liberado é a causa de muitas enfermidades e sofrimentos, pelos quais muitas pessoas, e (pasmem) muitos cristãos, estão passando.

Deste modo, se não imitarmos à Cristo e perdoarmos nosso próximo como Ele nos perdoou, incorreremos no perigo da condenação, ainda que anteriormente perdoados, como explícito na parábola:

“Eis como meu Pai celeste agirá convosco, se cada um de vós não perdoar, de coração, ao seu irmão.” Mateus 18:35

Veja que Jesus está voltando!!! E quando ele voltar encontrará nosso coração livre, ou carregado de mágoas e ressentimentos?

A quem precisamos liberar uma palavra de perdão?

Que Deus nos abençoe com essa Palavra.





Palavra Ministrada pelo Diácono Thiago Imbasciati Penido, no culto de oração da Igreja de Sião, em 09/08/2013.

Referências:
[1] Fonte: Bíblia de Jerusalém.
[2] Fonte: http://www.bmfbovespa.com.br/home.aspx?idioma=pt-br, acessado em 09/08 às 16h33.
[4] Fonte: http://www.icarros.com.br/fiat/uno, acessado em 08/08/2013 às 21h30.
[5] Fonte: http://blog.3dm.com.br/tag/novo-estadio-do-palmeiras/ acessado em 08/08/2013 às 21h45.

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