Por Steven Lawson
Charles Spurgeon acreditava que se ele quisesse ser usado de forma efetiva no evangelismo, deveria possuir um conhecimento abrangente das Escrituras. Consequentemente, sua preparação para o sermão era marcada pelo estudo aprofundado do texto bíblico. Ele declarou a seus alunos: “Sejam mestres de suas Bíblias, irmãos. Não importa as outras obras que você não examinou, esteja em casa com os escritos dos profetas e apóstolos. ‘Que a Palavra de Deus habite ricamente em vós’”. Como viu Spurgeon, a extensão do ministério de um pastor é basicamente determinada pela sua profundidade na Palavra.
Para obter tal profundidade, Spurgeon fez de seu principal objetivo sondar as profundezas da Bíblia. Ele escreveu: “Entender a Bíblia deve ser nossa ambição; devemos estar familiarizados com ela, tão familiarizados com ela quanto a dona de casa é com sua agulha, o comerciante é com a sua firma, o marinheiro é com sua embarcação”. Ele acrescentou: “É uma bênção se alimentar da verdadeira alma da Bíblia, até que, finalmente, o seu sangue seja ‘Biblino’ e a própria essência da Bíblia flua em você”. Spurgeon seguiu seu próprio conselho e buscou uma extensa compreensão das Escrituras.
É claro que uma robusta compreensão da Escritura não surge automaticamente. Spurgeon disse: “O ministério exige trabalho cerebral. O pregador deve unir seu pensamento ao seu ensinamento, e ler e estudar para manter sua mente em bom estado”. Em outras palavras, o poder na pregação do evangelho exige estudo árduo. Ele admitiu: “Eu raramente me preparo para o púlpito com prazer. Estudar para pregar é para mim o trabalho mais cansativo do mundo”. Mas ele entendeu que, se ele se recusasse a pagar esse alto preço, ele não teria nenhum direito no ministério: “Um preguiçoso não tem direito no púlpito. Ele é um instrumento de Satanás para condenar as almas dos homens”. Mais uma vez, ele advertiu: “Aquele que para de aprender, para de ensinar. Aquele que já não semeia no estudo, não vai mais colher no púlpito”. Mesmo para um gênio como Spurgeon, o estudo da Bíblia era um trabalho difícil. Mas, profundidade na Palavra é absolutamente necessário para que haja profunda convicção e firmeza nas conversões.
Apesar de não possuir qualquer tipo de educação formal, Spurgeon era notavelmente um bom leitor e extraordinariamente versado em “um tipo de estilo puritano”. Sua biblioteca pessoal em sua casa de Westwood ostentava um número estimado de 12 mil volumes de comentários bíblicos, teologias sistemáticas, auxiliares lingüísticos, histórias da igreja, e biografias cristãs. Spurgeon era tão familiarizado com seus livros o que disseram que ele podia andar em sua biblioteca no escuro e colocar sua mão em qualquer obra desejada. Lewis A. Drummond afirma: “Ele podia classificar tudo o que lia, e possuía o dom incomum de recordação instantânea”. Esta habilidade de reter o que lia lhe permitiu ser um pensador capaz e estudioso competente.
Hughes Oliphant Old menciona que Spurgeon era “um leitor rápido, que lia os puritanos ingleses amplamente e com perspicácia. Os puritanos produziram uma quantidade incrível de literatura de diferentes tipos, e Spurgeon leu e releu essa literatura”. Através desta leitura vasta, Spurgeon adquiriu uma “rara combinação de clareza bíblica, coerência teológica, gosto retórico, perspicuidade de dicção, universalidade de apelo e urgência de aplicação”. Como resultado, ele era bem preparado para pregar todo o conselho de Deus com poderes extraordinários de comunicação.
Apenas alguém tão cheio de Escritura poderia se preparar para pregar como Spurgeon fazia. Sua leitura voraz durante toda a semana lhe permitia entrar em sua sala de estudo, na noite de sábado, selecionar seu texto para a manhã de domingo, e se preparar para pregar. Ele elaborava um esboço, a única ajuda que ele levaria para o púlpito. Ele repetia a mesma prática na tarde de domingo, para o sermão da noite. Por ser ele tão saturado com a verdade bíblica, ele disse que sempre que ele se sentava em sua mesa, era como se ele estivesse se preparando para pregar muitos sermões. Ele confessou: “Eu acredito que, quase todos os sábados da minha vida, eu preparo muitos esboços de sermões, caso eu sinta liberdade para pregá-los, me deixam preparado por todo o mês, mas eu não me atrevo a usá-los mais do que um marinheiro honesto se atreveria a descarregar na praia produtos contrabandeados”.
Spurgeon guardava seu tempo de preparação do sermão nas noites de sábado, não permitindo qualquer intrusão. Certa vez, um hóspede não convidado veio até sua casa para vê-lo, enquanto ele estava se preparando para o domingo. Quando a empregada abriu a porta, esta pessoa a enviou até Spurgeon para solicitar uma audiência com ele. Spurgeon direcionou-a a dizer que ele tinha uma norma de não ver ninguém durante aquele período. O visitante respondeu: “Diga ao Sr. Spurgeon que um servo do Senhor Jesus Cristo deseja vê-lo imediatamente”. A empregada assustada trouxe a mensagem, mas Spurgeon respondeu: “Diga-lhe que estou ocupado com o seu Mestre, e não posso ver servos agora”.
Este comprometimento com a Escritura era o critério pelo qual Spurgeon acreditava que todos os pregadores deveriam ser julgados: “Te imploro que, cuidadosamente, julgue cada pregador, não por seus dons, não por seus poderes de eloquência, não por seu status na sociedade, e não pela respeitabilidade de sua congregação, não pela beleza de sua igreja, mas por isto: ele pregar a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação?”
Um profundo compromisso com as Escrituras foi o segredo do ministério evangelístico de Spurgeon. Além da Palavra de Deus, ele não tinha absolutamente nada a dizer.
--
Tradução: Arielle Pedrosa
Fonte: Ligonier Ministries
Via: AME Cristo

Nenhum comentário:
Postar um comentário