O culto a Deus é um momento muito especial para a Igreja de Cristo. É no culto que o Corpo de Cristo se reúne para, a uma só voz, em um só espírito, adorar ao Senhor Deus de todo o universo. O culto não é uma reunião social de alguma agremiação, não é um show de uma banda ou cantor famoso, ou ainda um espetáculo para arrebanhar multidões curiosas por efeitos especiais. O culto é o momento máximo da Igreja como corpo e, portanto, é intrinseca a necessidade de que ocorra com ordem e decoro. No capítulo 14, na primeira carta de Paulo aos Coríntios, precisamente nos versículos de 26 a 40, o Apóstolo nos dá uma série de recomendações acerca da ordem no culto, das quais vamos discorrer brevemente neste texto.
No versículo 26, Paulo ensina a Igreja de Corinto que todos podem e devem ser participantes ativos do culto. Isso significa, primeiramente, que os crentes não são simples espectadores, mas parte integrante do culto. Entretanto, Paulo regulamenta que essa participação, embora permitida a todos, deve ter como objetivo a edificação. Edificação, neste contexto, pode ser interpretada como induzir à virtude, e esta, por sua vez, pode ser interpretada como a disposição firme e constante para o fortalecimento da fé, da esperança e do amor. Daí podemos inferir que, no padrão paulino de culto, se a reunião não tem esses objetivos, fugiu do sentido original. Do versículo 27 a 31, Paulo estabelece algumas orientações, de ordem prática, relacionadas ao proceder dos participantes do culto. Conforme essas orientações, fica claro que a oração em línguas (e sua interpretação), a profecia, os cantos e os ensinamentos, devem obedecer uma ordem, a fim de que tudo seja para edificação do corpo.
Lamentavelmente, em muitos "cultos", fica evidente a falta de organização, de respeito ao tempo e aos vizinhos e, principalmente, o desrespeito à própria Palavra de Deus. Em muitos casos, a Palavra tem sido substituída por verdadeiros shows e, em outros casos, por "manifestações" pseudo-espirituais, cujo objetivo certamente não é a edificação. Muitas "reuniões", ao invés de promover o Evangelho da Salvação, promovem um espetáculo sem sentido e sem razão de ser, que mais assusta do que edifica. Pastores que gritam exageradamente em seus púlpitos, assopram sobre a multidão derrubando-as, ou simplesmente são tomados por um "pseudo-poder" fora de controle, de tal modo que se deixam dominar, e acabam cedendo a uma conduta que beira ao jocoso. Pessoas que dançam exageradamente e, em alguns casos, bailam como em cultos estranhos à fé cristã. Reuniões que dão mais ênfase à experiências subjetivas, do que à Verdade do Evangelho.
Uma coisa é marcante no texto de Paulo: "Os espíritos dos profetas estão submissos aos profetas." (I Cor. 14:32). Paulo está dizendo com isso que o homem, ao receber um dom de Deus, possui controle sobre esse dom. Essa história de dizer que "está sob o poder do Espírito" não justifica a desordem no culto, muito menos alguma situação constrangedora que essas manifestações podem causar. Alguns estudiosos são mais radicais ainda ao afirmar que, se o profeta parece ter perdido o controle do seu comportamento, é falso profeta. Portanto, aquele que não tem controle sobre o dom que Deus lhe deu, é porque este dom não vem de Deus: é um pseudo-espiritual.
A Igreja de Cristo precisa estar atenta a estas invenções "neo-pentecostais" dos últimos dias, para que o culto à Deus não seja tomado pelo sincretismo religioso, tampouco pela vontade humana.

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