
"Apascentai o rebanho de Deus que vos foi confiado, cuidando dele, não como por coação, mas de livre vontade, como Deus o quer, nem por torpe ganância, mas por devoção, nem como senhores daqueles que vos couberam por sorte, mas, antes, como modelos do rebanho." I Pedro 5:2
Mais um ano eleitoral e mais candidatos estão na área falando de suas propostas, prometendo maravilhas e trazendo à sociedade suas idéias e projetos. Para variar, não são isolados os candidatos que se apresentam como "pastores".
Ora, é inquestionável que o cidadão brasileiro, em pleno gozo de seus direitos políticos, possui o direito, previsto no Artigo 14, parágrafo 3º, do Capítulo IV da Constitução da República Federativa do Brasil, de candidatar-se a cargo público e exercê-lo, se através do voto, conquistar a vaga pretendida, independente de seu credo, raça, partido político, ideologia ou profissão. Entretanto, minha dúvida é a seguinte: É ético que um ministro do Evangelho, comprometido com a obra de Deus, se candidate a cargo público eletivo?
Como Protestante que sou, submetido à Palavra de Deus e vinculado aos ideais da Reforma defendo que não! Não é ético um ministro do Evangelho exercer cargo público eletivo.
O ministro do Evangelho deve dedicar-se exclusivamente à Igreja de Cristo. Se um homem (ou mulher) recebeu ordenação ministerial para "apascentar" o rebanho de Cristo, o que esse "ministro" fará em cargo público eletivo? Representar a Igreja? Representar os cristãos? As respostas não justificam a ausência na Igreja para exercer um cargo que demandará dedicação extrema.
Vida pública requer muito tempo de trabalho, dedicação quase que exclusiva (embora sabemos que, em muitos casos, não é isso que ocorre na prática) trabalhando pelos interesses do povo.
Já a Igreja requer dedicação TOTAL, trabalho exclusivo, pois ali o ministro estará atuando pelo Reino de Deus, atendendo pessoas, dando suporte aos necessitados, aconselhando, dirigindo celebrações, cultos, pregando e ensinando a Palavra de Deus. Como será o ministro do Evangelho exemplo para o rebanho se não está dedicado ao Reino de Deus por conta de interesses políticos?
Também não consigo "engolir" a prática de pastores ou líderes que apoiam publicamente candidato X ou Y. Abrem as portas de suas comunidades para receber candidatos que sequer possuem algum compromisso com Cristo, quanto mais com a Igreja em que está usando o púlpito de palanque. Depois das eleições, eleito ou não, certamente desaparecerá não voltará a "visitar" a Igreja, tampouco cantar "glória, glória, aleluia" com os irmãos. Ainda que o candidato seja sua ovelha, não é ético que o líder utilize o púlpito para "promover" a vida pública de ninguém.
É bom deixar claro que não defendo a inércia dos prostestantes frente às demandas públicas e políticas, sobretudo em temas de suma importância para a sociedade. Acredito que os cristãos, sejam estes potestantes ou não, devem sim nos representar no legislativo, no executivo bem como em todos os setores da sociedade. Defendo, porém que pastores e líderes, que vivem do ministério, dediquem-se a realizar exclusivamente a obra que foi confiada em suas mãos, obra aliás que já não é pequena e carece de trabalhadores dispostos e sinceros.
Por esse motivo, não voto em pastores ou líderes religiosos. Se o ministro recebe ordenado da Igreja, deve dedicar-se exclusivamente a ela. Caso queira candidatar-se a cargo público, deve renunciar ao ministério pastoral, ou se licenciar oficialmente dele, e não utilizar o título na campanha, para não dar a "impressão" que almeja os votos dos cristãos. Deve lutar pela sua vaga, independentemente do cargo que ocupa na Igreja, apenas pelos serviços que já prestou à sociedade fora dos limites do Templo.
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Postou Thiago Penido, indignado com alguns líderes que querem subestimar a inteligência dos cristãos.
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