domingo, 17 de maio de 2009

Prioridade: qual é a sua?


Texto para Leitura: Ageu, capítulo 1.


Após a invasão de Nabucodonossor a Israel, o povo de Deus foi exilado na Babilônia por setenta anos. Longe de sua terra natal, que fora destruída juntamente com o Templo do Senhor, o povo de Deus ali ficou servindo aos babilônicos e ao rei.

Após os setenta anos de exílio, agora sobre um novo reino comandado por Ciro, foi autorizado o retorno do povo de Deus para sua terra. Esse povo agora estaria livre para voltar e restabelecer os muros da cidade santa, o Templo do Senhor, o Culto e a vida cotidiana no território de origem.

Perceba que eles voltaram com uma missão: reconstruir!

Após o retorno às terras e o início da reconstrução dos muros, foram lançados os alicerces para a construção do Templo. É importante lembrar que o Templo, naquela época, tinha um significado muito importante para a identidade do povo, pois representava a presença de Deus junto à nação e reunia a nação em torno dele. Portanto sua reconstrução era algo muito importante para a identidade nacional.

Tão logo os alicerces foram lançados, iniciou-se também grande oposição à reconstrução do Templo e da cidade. Alguns Samaritanos (Esdras 4:4-5) que já habitavam a terra no momento da repatriação dos Judeus, ao terem o pedido de unir-se ao povo negado pelo governador Zorobabel, iniciaram forte oposição. A resistência foi tão grande que conseguiram convencer, o então rei Atarxerxes, a embargar a obra.

A construção foi então paralisada! Durante quinze anos a obra do Templo esteve embargada e por conta disso o povo de Deus, que antes estava motivado e determinado a reconstruir o Templo, agora estava desanimado! É exatamente nesse momento da história e nesse contexto que Deus levanta um homem chamado Ageu.

Ageu foi um profeta que teve um ministério muito curto. Segundo a história extra-bíblica seu ministério durou cerca de quatro meses e ocorreu por volta do ano 520 a.C. Entretanto, Deus utilizou esse homem de forma profunda. Inspirado pelo Senhor, Ageu começa a exercer seu ministério mostrando ao povo algumas conseqüências advindas da paralisação da obra. Vejamos quais:

1) O povo deixou de dar importância à obra de Deus - “Assim fala o Senhor dos Exércitos, dizendo: Este povo diz: Não veio ainda o tempo, o tempo em que a Casa do Senhor deve ser edificada.” (Ageu 1:2)

O povo de Deus começou a imaginar que esse não era o momento que Deus havia reservado para a reconstrução do Templo. Aquela certeza que havia no coração deles quando retornaram a terra estava agora ofuscada por um embargo de quinze anos ordenado pelo próprio rei. Quantas vezes não cometemos o mesmo erro? Frente à primeira dificuldade imaginamos que não é o momento de fazermos a obra Deus. Em alguns casos essas dificuldades são até compreensíveis sob o ponto de vista da lógica humana, como o embargo do rei, entretanto, não fazemos o mínimo esforço para superá-las.

2) O povo preocupou-se apenas com o que é seu - “É para vós tempo de habitardes nas vossas casas estucadas, e esta casa há de ficar deserta?” (Ageu 1:4)

Diante da “incerteza” da missão que tinham a executar, simplesmente renegaram-na a segundo plano e começaram a investir esforços unicamente nos objetivos pessoais, como se a obra não fosse mais o objetivo principal. Parece-me que o mundo está vivendo exatamente isso, não acha? Cada um corre atrás do que é seu, olha somente para o seu “quintal” e deixa para depois a vontade de Deus. É verdade que o Senhor nosso Deus nos deu promessas de bênçãos e prosperidade nessa terra que, se enumerarmos aqui, certamente demandará outro artigo. Entretanto nada substitui a obra de Deus! O Senhor deixa claro que não se agrada quando o povo coloca os seus objetivos pessoais acima dos objetivos de Deus.
Falar disso nos dias de hoje pode parecer loucura. Numa sociedade extremamente capitalista e individualista, defender que a obra de Deus tem prioridade ao emprego, a uma boa casa, aos amigos ao redor da mesa, soa como fanatismo ou extremismo. Mas é o próprio Deus quem adverte, parafraseando o texto acima: “é tempo de habitar bem enquanto minha casa está em ruínas?” Deus não está dizendo para fazer nenhum voto de pobreza não, mas em tudo, colocá-lo em primeiro lugar juntamente com sua obra.

3) A conseqüência: Crise - “Semeais muito e colheis pouco; comeis, mas não vos fartais; bebeis, mas não vos saciais; vesti-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário recebe num saquitel furado. (Ageu 1:6)

Falamos muito de crise hoje. Basta ligamos a televisão, abrirmos uma revista / jornal ou entrarmos na Internet e teremos material farto a esse respeito. Entretanto a crise não é algo novo. Veja que o Senhor estava advertindo aquele povo que, por deixarem Sua obra em segundo plano, foram alcançados pela crise. O texto nos faz entender que o povo trabalhava e o que ganhava não era suficiente para se alimentar bem, para se vestir bem, para fazer economias. E por que? Porque priorizaram o que era menos importante e esqueceram-se do que era principal.
O homem sempre está em busca de satisfazer suas vontades e caprichos. Numa sociedade que valoriza o “ter” sobre o “ser”, o homem cada vez mais busca ter a melhor casa, o melhor carro, o melhor emprego, habitar os melhores lugares, com os melhores amigos e tudo isso até a ponto de frustrar-se se não alcançar. Tudo isso em detrimento do que é principal: o Reino de Deus. Quanto dinheiro gastamos naquilo que não é pão e quanto do nosso suor investimos naquilo que não pode satisfazer o vazio humano? Lamento em ter que informar, mas as “crises” não deixarão de existir enquanto a humanidade colocar o Reino de Deus em segundo plano. Dificuldades sempre existirão enquanto o alvo principal não for a vontade de Deus.

Após demonstrar as conseqüências Ageu, profeta do Senhor, exorta esse povo a uma tomada de posição, a reconsiderar seus caminhos. Podemos dividir essa exortação em três etapas:

1) O Senhor exorta o povo a reconsiderar seus caminhos: Ora, pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: “Aplicai o vosso coração aos vossos caminhos”. (Ageu 1:5 e 7).

Naquele momento o povo precisava parar e reavaliar as decisões que estavam tomando na vida. Precisava refletir se realmente os caminhos que estavam traçando eram os mais corretos. Será que não precisamos parar um pouco e reavaliar as prioridades que adotamos em nossas vidas? Será que não é o momento de reconsiderarmos nossas decisões sob o ponto de vista de Deus e concluir se são as melhores?

2) O Senhor anima o povo a reconstruir: “Subi ao monte, e trazei madeira, e edificai a casa; e dela me agradarei e eu serei glorificado, diz o Senhor”. (Ageu 1:8)

Certamente Deus nunca chamará o homem a uma reflexão sem apresentar a ele o melhor caminho. Após exortar, nos aponta qual é sua vontade, respeitando nosso livre arbítrio. Quantas vezes o Senhor tem falado sua vontade a nós e não temos obedecido? Quantas vezes temos fechado nossos ouvidos às direções que Deus nos dá em busca do que satisfaz nossa vontade pessoal?

3) O Senhor encoraja: “Eu sou convosco, diz o Senhor.” (Ageu 1:13)

As orientações de Deus podem até parecer loucura diante do olhar humano, limitado e egoísta. Mas, quando Ele dá o comando, Ele também dá o respaldo. É Ele quem vai à nossa frente e nos sustenta.

Conclusão: O Senhor nos chama a uma tomada de posição! Quando reconhecemos que tudo o que temos e o que somos vem de Deus, jamais colocaremos outro objetivo à frente do Senhor, pois enquanto colocamos à Deus e sua obra em primeiro lugar, Ele cuida de cada uma de nossas necessidades.

Diante disso só posso concluir com as palavras do próprio Senhor Jesus:

“Buscai, antes, o Reino de Deus, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.” Lucas 12:31

Palavra ministrada pelo Diácono Thiago Penido no culto do Espírito Santo e abertura da vigília “24 horas de oração” realizado no Templo da Igreja Batista de Sião em 24/04/2009.

Nenhum comentário:

Postar um comentário